Na reflexão anterior vimos que temos muitas vezes a tendência de nos relacionarmos com Deus na base de Patrão-empregado, ou seja, o que faço tem sempre uma recompensa, portanto pensamos, que a justificação diante de Deus, tem essa mesma lei de causa e efeito.
De acordo com este pensamento, sou justificado se "andar direito", perco a justificação se "me desviar". Já vimos claramente o que Paulo disse sobre isto. "Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, sua fé lhe é atribuída como justiça." (Romanos 4:4-5)
Novamente, nossa relação com o Pai não é uma relação trabalhista, onde fazemos por ganhar, ao contrário, toda nossa relação com o Pai foi, é, e sempre será baseada no FAVOR (Graça). Nossa justiça é porque cremos no JUSTO (Jesus).
Jesus contou uma parábola que ilustra perfeitamente o que tenho procurado expor: A parábola do filho pródigo. (Lucas 15:11 em diante)
Num determinado tempo de sua vida, depois de ter saído da casa do pai, e ter gasto todo o dinheiro que pediu, como herança antecipada ao pai, aquele jovem, que passou a viver desregradamente, experimentando de todo tipo de excessos, sentiu em seu coração uma angústia.
O texto fala que veio uma fome sobre o país onde se encontrava. E isto acontece na vida daqueles que tentam trilhar o mesmo caminho daquele jovem. Longe do Pai, temos fome, não mais a fartura que vinha da mesa do Pai. Espiritualmente falando, já não nos alimentamos de Deus, e queremos como aquele jovem, nos alimentar da comida dos porcos.
Então, diz o texto, caindo em si, aquele jovem pensou: "Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome."
Perceba o que está se passando dentro da mente dele:
Ele diz: "Levantar-me-ei e irei ter com meu pai, e lhe direi:
Pai, pequei contra o céu e contra ti, já não sou digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos teus trabalhadores."
Neste mesmo instante, dentro de sua mente e seu coração se instalou a síndrome do Patrão-empregado em sua relação com o pai.
Psicologicamente ele se sentiu indigno, e creu que no estágio em que se encontrava, só tinha um jeito: Tentar fazer alguma coisa para reparar os danos, tentar fazer algo para pagar de volta ao pai pela sua aceitação.
Ele se reencontra com o pai e já vai dizendo: Pai, pequei contra ti, não sou digno de ser chamado filho.
Mas o pai nem escuta o que ele diz. Ao contrário, manda os empregados trazerem a melhor roupa,(roupa tem um sentido espiritual de justificação da parte de Deus) colocarem um anel no dedo (na antiguidade isto era sinal de honraria), sandálias nos pés. Matam um boi, fazem um belo churrasco.
Então o pai diz: Comamos e bebamos,regozijemo-nos, porque este meu filho (não este meu servo) estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.
Que quero mostrar?
O pai da parábola representa Deus, o filho representa todos nós que temos sido justificados pela fé.
O afastamento do Pai, o pecado, o enfraquecimento na fé, parecem a nós, serem motivos de cortar a relação Pai-filho, que temos com Deus através de Jesus.
Mas Jesus ensina claramente, que o Pai nunca nos enxerga numa ótica de Patrão-empregado, sempre nos receberá de volta como filhos, porque seu favor (Graça) é que rege nossa união.
Tenho muito a dizer sobre a Graça de Deus.
Mas chamo a atenção para a possibilidade das pessoas não aceitarem que sejamos justificados de uma forma tão absoluta assim.
Porque, mesmo quando nós, depois de uma certa luta, afinal entendemos e aceitamos que somos justificados para sempre em Jesus, podemos experimentar a oposição das outras mentes humanas, que enxergam-nos na relação Patrão-empregado.
Quero despertar crentes em Jesus a viverem com intensidade os benefícios de uma justificação absoluta, a se desprenderem de tantos fardos e condenações que fortalecem mais ainda o poder do pecado no corpo e na alma.
Viva hoje sua condição eterna de filho do Altíssimo, tenha ousadia para entrar no santuário, no Santo dos Santos, pela fé no sangue do Cordeiro (Hebreus 10:19).
Paz sobre a tua vida
Em Cristo
Pr Israel Silva